sexta-feira, 20 de junho de 2008
PROVÉRBIOS POPULARES
> Cada macaco no seu galho.
> A esperança é a última que morre.
> Quem não tem cão caça com gato.
> O apressado como cru.
> Quem casa quer casa.
> Devagar se vai longe.
> Nem tudo que reluz é ouro.
> Quem sai na chuva é pra se molhar.
> Mais vale um pássaro na mão do que dois voando.
> A união faz a força.
> Quem conta um conto aumenta um ponto.
> Cão que ladra não morde.
> A justiça tarda, mas não falha.
> Dois bucudos não se beijam.
> A pressa é inimiga da perfeição.
> Quem tem boca vai à Roma.
> Em terra de cego quem tem olho é rei.
> Quando a esmola é muita o santo desconfia.
> É de menino que se torce o pepino.
> Há males que vêm para o bem.
> O que os olhos não veem o coração não sente.
> Por fora, bela viola. Por dentro, pão bolorento.
> Nem tudo que balança cai.
> Quem procura acha.
> O olho do dono engorda o porco.
> Em casa de ferreiro o espeto é de pau.
> Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.
> É errando que se aprende.
> Quem rir por último rir melhor.
> Para bom entendedor meia palavra basta.
RECEITA

Canjica Nordestina
Ingredientes
• 10 espigas de milho verde
• canela em pó para polvilhar
• 1 vidro (200 ml) de leite de coco
• 1 lata de leite condensado
• 2 xícaras (chá) de leite
• canela em pó para polvilhar
• 1 vidro (200 ml) de leite de coco
• 1 lata de leite condensado
• 2 xícaras (chá) de leite
Preparo
Para debulhar o milho verde, corte os grãos rente ao sabugo. Bata-os no liquidificador com o leite e passe-os por uma peneira, apertando bem. Coloque em uma panela com o Leite Moça e leve ao fogo, mexendo até obter um creme bem grosso. Adicione o leite de coco, mexa mais um pouco e retire do fogo. Despeje em um recipiente refratário retangular (20 x 30 cm) e leve para gelar. Polvilhe canela em pó, corte em losangos e sirva a seguir.
Dicas
- Se quiser uma consistência mais mole, prepare a receita com oito espigas de milho verde. Depois de pronta e ainda quente, coloque em tigelas individuais e polvilhe a canela em pó;
- Se preferir, substitua as espigas de milho verde por cinco latas de milho em conserva.
Fonte: Cozinha Nestlé
RECEITA

Pamonha
• 12 espigas médias de milho verde bem novo
• 4 colheres (sopa) de açúcar
• ½ lata de leite
• 1 lata de leite condensado
• 4 colheres (sopa) de açúcar
• ½ lata de leite
• 1 lata de leite condensado
Preparo
Corte a base das espigas e descasque o milho. Limpe e lave as espigas e as folhas. Rale as espigas bem rente aos sabugos. Bata o milho ralado no liqüidificador com o Leite Moça, o açúcar e o leite. Reserve. Afervente rapidamente as folhas do milho em uma panela funda para amolecerem. Separe as menores e desfie formando tiras estreitas. Segure a folha no sentido do comprimento e faça duas dobras sobrepostas. Dobre ao meio, unindo as extremidades abertas. Segure o pacote pela extremidade e encha-o com o creme de milho, deixando bastante espaço vazio na borda. Feche o pacote, amarrando com a tira reservada. Cozinhe em água fervente, até que a palha amarele e as pamonhas fiquem firmes. Retire da água e escorra. Sirva quente ou fria.
Dicas
- Para fazer os pacotes é importante que as espigas estejam intactas, totalmente revestidas pela palha.
- Se preferir, ao invés de ralar as espigas, corte o milho rente ao sabugo e prossiga com a receita.
- Os ingredientes da pamonha variam conforme a região do país. Pode-se, por exemplo, acrescentar 1 colher (chá) de canela em pó ao creme da pamonha; ou substituir o leite por leite de coco; ou, ainda, acrescentar coco fresco ralado.
Fonte: Cozinha Nestlé
Festas Juninas no Nordeste

Embora sejam comemoradas nos quatro cantos do Brasil, na região Nordeste as festas ganham uma grande expressão. O mês de junho é o momento de se fazer homenagens aos três santos católicos: São João, São Pedro e Santo Antônio. Como é uma região onde a seca é um problema grave, os nordestinos aproveitam as festividades para agradecer as chuvas raras na região, que servem para manter a agricultura.
Além de alegrar o povo da região, as festas representam um importante momento econômico, pois muitos turistas visitam cidades nordestinas para acompanhar os festejos. Hotéis, comércios e clubes aumentam os lucros e geram empregos nestas cidades. Embora a maioria dos visitantes seja de brasileiros, é cada vez mais comum encontrarmos turistas europeus, asiáticos e norte-americanos que chegam ao Brasil para acompanhar de perto estas festas.
Como o mês de junho é a época da colheita do milho, grande parte dos doces, bolos e salgados, relacionados às festividades, são feitos deste alimento. Pamonha, cural, milho cozido, canjica, cuzcuz, pipoca, bolo de milho são apenas alguns exemplos. Além das receitas com milho, também fazem parte do cardápio desta época: arroz doce, bolo de amendoim, bolo de pinhão, bombocado, broa de fubá, cocada, pé-de-moleque, quentão, vinho quente, batata doce e muito mais.
As tradições fazem parte das comemorações. O mês de junho é marcado pelas fogueiras, que servem como centro para a famosa dança de quadrilhas. Os balões também compõem este cenário, embora cada vez mais raros em função das leis que proíbem esta prática, em função dos riscos de incêndio que representam.
No Nordeste, ainda é muito comum a formação dos grupos festeiros. Estes grupos ficam andando e cantando pelas ruas das cidades. Vão passando pelas casas, onde os moradores deixam nas janelas e portas uma grande quantidade de comidas e bebidas para serem degustadas pelos festeiros.
Já na região Sudeste são tradicionais a realização de quermesses. Estas festas populares são realizadas por igrejas, colégios, sindicatos e empresas. Possuem barraquinhas com comidas típicas e jogos para animar os visitantes. A dança da quadrilha, geralmente ocorre durante toda a quermesse.
Como Santo Antônio é considerado o santo casamenteiro, são comuns as simpatias para mulheres solteiras que querem se casar. No dia 13 de junho, as igrejas católicas distribuem o “pãozinho de Santo Antônio”. Diz a tradição que o pão bento deve ser colocado junto aos outros mantimentos da casa, para que nunca ocorra a falta. As mulheres que querem se casar, diz a tradição, devem comer deste pão.
Fonte: http://www.suapesquisa.com
ORIGEM DAS FESTAS JUNINAS

Existem duas explicações para o termo festa junina. A primeira explica que surgiu em função das festividades ocorrem durante o mês de junho. Outra versão diz que está festa tem origem em países católicos da Europa e, portanto, seriam em homenagem a São João. No princípio, a festa era chamada de Joanina.
De acordo com historiadores, esta festividade foi trazida para o Brasil pelos portugueses, ainda durante o período colonial (época em que o Brasil foi colonizado e governado por Portugal).
Nesta época, havia uma grande influência de elementos culturais portugueses, chineses, espanhóis e franceses. Da França veio a dança marcada, característica típica das danças nobres e que, no Brasil, influenciou muito as típicas quadrilhas. Já a tradição de soltar fogos de artifício veio da China, região de onde teria surgido a manipulação da pólvora para a fabricação de fogos. Da península Ibérica teria vindo a dança de fitas, muito comum em Portugal e na Espanha.
Todos estes elementos culturais foram, com o passar do tempo, misturando-se aos aspectos culturais dos brasileiros (indígenas, afro-brasileiros e imigrantes europeus) nas diversas regiões do país, tomando características particulares em cada uma delas.
Fonte: http://www.suapesquisa.com
DANÇA DAS FITAS
Tradição muito antiga, dos povos arianos, trazida ao nosso país pelos portugueses e espenhóis. É também praticada em outros países das Américas - do México até a Argentina. A coreografia principal é o trançado. Um mastro, enfeitado com flores e guirlandas e de cujo topo partem fitas muticoloridas, tantas quantos forem os participantes. Estes pegam as pontas livres das fitas e executam um bailado cuja coreografia segue o ritmo dos instrumentos musicais, como sanfona, violão e pandeiro.
Os dançarinos trançam e destrançam as fitas, de cores diferentes, formando interessantes desenhos pela intercalação das cores.
No Brasil, a dança faz parte das festividades juninas e natalinas, dependendo da região, mas em diversos países é somente dedicada às árvores.
quinta-feira, 1 de maio de 2008
LENDA: IARA

Iara ou Mãe-D'água - figura mitológica difundida entre os indígenas e caboclos após o século XVII, de aculturação provavelmente européia e tendo suas raízes nas sereias. Loira e muito bonita, a mãe-d'água atrai os pescadores, ou quem quer que se aproxime de rio ou praia `a noite, e leva o pretendente a afogar-se em busca de diversão. Em algumas comunidades é reputada como protetora das águas e pescas. Sendo meio peixe e meio mulher, apresenta-se a pentear os cabelos, a cantar ou mesmo conversando com algum passante. Encantado e quase que sob efeito hipnótico, o pretenso parceiro mergulha nas profundezas da água, onde sufoca e morre.
A Iara é uma bonita moça que vive na água, contam os índios. Dizem que é tão linda, que ninguém resiste ao seu encanto. Costuma cantar com uma voz tão doce, que atrai as pessoas. Quando se percebe, já é tarde. Ela arrasta a vítima para o fundo das águas. Os índios têm tanto medo da Iara, que, ao entardecer, evitam ficar perto dos lagos e dos rios. Receiam ser atraídos por ela.
FONTE
PARLENDA (III)
Cadê o toicinho daqui?
O gato comeu.
Cadê o gato?
Foi pro mato.
Cadê o mato?
O fogo queimou.
Cadê o fogo?
A água apagou.
Cadê a água?
O boi bebeu.
Cadê o boi?
Foi amassar trigo.
Cadê o trigo?
A galinha espalhou.
Cadê a galinha?
Foi botar ovo.
Cadê o ovo?
O padre bebeu.
Cadê o padre?
Foi rezar a missa.
Cadê a missa?
Já se acabou!
FOLCLORE
domingo, 20 de abril de 2008
CRENÇA - CUCA

Cuca é uma expressão com que se amedrontam as crianças, e corresponde ao bicho-papão a que todas as mães recorrem em determinados momentos para aquietar a peraltice dos filhos. A palavra provavelmente seja derivada de côca, espécie de capuz feminino que serve para cobrir a cabeça deixando livre apenas o rosto, mas que também significa feiticeira ou abóbora (e até mesmo panela vazia) com furos representando os olhos, o nariz e a boca de uma pessoa, sendo iluminada por dentro para assustar e causar medo. Esse tipo de capuz é comum em Portugal, e a significação de feiticeira talvez seja decorrente do aspecto feio dessas peças do vestuário, o que levou a imaginação popular a associá-las a esse ser fantástico.
Existem muitas canções e versos sobre a cuca, e talvez a mais conhecida seja a que diz “Nana, neném / Que a cuca vem pegar / Papai tá na roça / Mamãe foi cozinhar”. Ou então “Vai-te, Cuca, sai daqui / para cima do telhado / deixa dormir o menino / o seu sono sossegado”. Da mesma forma, são várias as maneiras como essa criatura é descrita pela crendice popular e autores diversos, sendo uma delas a de Luiz Câmara Cascudo, em “Geografia dos Mitos Brasileiros”:
“A Cuca, ou a Coca, é um ente velho, muito feio, desgrenhado, que aparece durante a noite para levar consigo os meninos inquietos, insones ou faladores. Para muitos, a Coca, ou Cuca, é apenas uma ameaça de perigo informe. Amedronta pela deformidade. Não sabe como seja o fantasma. A maioria, porém, identifica-a como uma velha, bem velha, enrugada, de cabelos brancos, magríssima, corcunda e sempre ávida pelas crianças que não querem dormir cedo e fazem barulho. É um fantasma noturno. Figura em todas as canções de ninar. Não há sobre ele episódios nem localizações. Está em toda parte, mas nunca se disse quem carrega e como o faz.. Conduz a criança num saco. Leva nos braços. Some-se imediatamente depois de fazer a presa. Pertence ao ciclo dos pavores infantis que a Noite traz”.
sábado, 5 de abril de 2008
ADIVINHAS (II)
Mais desafios e forma de perguntas:
I
O que é, o que é,
Voa, voa, não tem asa
Leva a vida a assobiar
Sopra, sopra, não tem boca
Tem pé e vive no ar?
II
O que é, o que é,
Está no meio do começo
Está no começo do meio
Estando ambos assim
Está na ponta do fim?
III
O que é , o que é,
Quem faz nunca vai querer
Quem compra não quer usar
Quem usa não pode ver
Quem vê não vai desejar?
I
O que é, o que é,
Voa, voa, não tem asa
Leva a vida a assobiar
Sopra, sopra, não tem boca
Tem pé e vive no ar?
II
O que é, o que é,
Está no meio do começo
Está no começo do meio
Estando ambos assim
Está na ponta do fim?
III
O que é , o que é,
Quem faz nunca vai querer
Quem compra não quer usar
Quem usa não pode ver
Quem vê não vai desejar?
Respontas: o vento, a letra m, caixão
Azevedo, Ricardo. Meu livro de Folclore. São Paulo: Ática, 1999
PARLENDA (II)
CADÊ
Nossa!
Que escuro!
Cadê a luz?
Dedo apagou.
Cadê o dedo?
Entrou no nariz.
Cadê o nariz?
Dando um espirro.
Cadê o espirro
Ficou no lenço.
Cadê o lenço?
Dentro do bolso.
Cadê o bolso?
Foi com a calça.
Cadê a calça?
No guarda-roupa.
Cadê o guarda-roupa?
Fechado à chave.
Cadê a chave?
Homem levou.
Cadê o homem?
Está dormindo
de luz apagada.
Nossa!
Que escuro!
Que escuro!
Cadê a luz?
Dedo apagou.
Cadê o dedo?
Entrou no nariz.
Cadê o nariz?
Dando um espirro.
Cadê o espirro
Ficou no lenço.
Cadê o lenço?
Dentro do bolso.
Cadê o bolso?
Foi com a calça.
Cadê a calça?
No guarda-roupa.
Cadê o guarda-roupa?
Fechado à chave.
Cadê a chave?
Homem levou.
Cadê o homem?
Está dormindo
de luz apagada.
Nossa!
Que escuro!
José Paulo Paes
PARLENDA(I)
Hoje é domingo
Pede cachimbo
O cachimbo é de barro
Bate no jarro
O jarro é de ouro
Bate no touro
O touro é valende
Bate na gente
Agente é fraco
Cai no burado
O buraco é fundo
Acabou-se o mundo
Folclore
sexta-feira, 4 de abril de 2008
A LENDA DO VASO MORTO

Cana-de-açúcar cresce em canaviais imensos, a perder de vista. Quando chega no ponto, é colhida e transportada para o engenho, onde passa por várias etapas até se transformar em diversos protudos, como açúcar, cachaça, caldo de cana, álcool. Veja só quanta coisa sai de uma simples cana! Quando entra na moenda e é espremida, faz sair um caldo esverdeado, espumoso, que cai num recipiente chamado vaso morto. Nome esquisito, não? Pois é, chama-se vaso morto porque fica ali só recebendo de um lado o caldo, e do outro os resíduos provenientes das demais etapas realizadas por outras partes do mecanismo. Coitado do vaso morto! Os outros vasos recebem e tratam as partes, digamos, mais finas, e ele fica ali queito e frio, só recebendo o que não presta.
"E vou ficar aqui, feito penico dos outros?! - pensou o vaso. - Era só o que faltava!"
Estava danado de raiva e doido para apontar alguma para cima de qualquer um, ms principalmente so senhor do engenho. Veja o que aconteceu:
Normalmente, todas as partes do mecanismo ficam quentes, menos o vaso morto, que é frio. Porém, certo dia um empregado do engenho se distraiu, passou perto do vaso e encostou a perna nele: "Ai, ai, ai, eu me queimei. O danado do vaso parece que ferve!" - foi o grito aflito que atravessou a fazenda inteira. Assim, pregando peças nos empregados, o vaso morto is satisfazendo sua raiva. Mas, não podemos esquecer que o rancor maior era para com o senhor do engenho.
Certo dia, vindo da usina, eis que se ouve um gemido intenso, profundo, inexplicável.
"Que gemido é esse? Oh, parece o vaso morto gemendo." Todos correram para conferir e, realmente, o gemido era do vaso morto. Os mais novos olhavam com os olhos esbugalhados de curiosidade, enquanto os mais velhos sentiam naquele gemido um mau agouro. Além disso, apurando o ouvido, dava para perceber algumas palavras: "Senhor do engenho... senhor do engenho..."
- Minha nossa! - gritou a preta velha que entendia todos os mistérios. - O senhor do engenho vai morrer! Vai morrer o senhor de engenho!
Pois não é que três dias depois dá um troço no senhor do engenho e ele morre?!
Cuidado com o vaso morto! Sua frieza engana e seu gemido traz morte!
Magalhães, Elsa Pestana. Lendas do Brasil. Barueri: Girassol: Madri: Susaeta Ediciones, 2004.
quinta-feira, 3 de abril de 2008
CAVALO MARINHO

Cavalo marinho,
quem te nomeou?
Foi um cantador
que por aqui passou.
Cavalo marinho,
com quem vais sonhar?
Com mil conchinhas
do fundo do mar.
Cavalo marinho,
quem te deu esse sinal?
Foi a mãe da mãe
da estrela do mar.
Cavalo marinho
dança com a princesa
Se apagar a luz,
a lua está acesa.
Cavalo marinho,
é hora da ceia
A dona da casa
que linda sereia!
Papagaio canta
Periquito chora
Cavalo marinho,
vamo-nos embora!
Bocheco, Eloí Elisabete. Batata cozida, mingau de cará. Brasília: Ministério da Educação, 2006
terça-feira, 1 de abril de 2008
LENDA: O MUTUM E O CRUZEIRO DO SUL

Estavam dois irmãos em sua casa quando de manhã ouviram um mutum cantar.
- Vamos, meu irmão, frechar o mutum que está cantando?
- Vamos, eu espero por ti.
Foram frechar. Quando lá chegaram e ouviram o mutum cantando, entesaram logo o arco, mas, olhando novamente, viram que era gente que estava sentada no pau.
O mutum falou imediatamente.
- Não me freches, meu neto. Queres ir comigo para o céu?
- Vou.
- Você quer então ir comigo?
- Vou.
- Então vamos já.
- Vamos.
- Eu vou adiante.
Foram logo para o céu transformados em estrelas.
Lisboa, Henriqueta. Literatura oral para infância e a juventude. São Paulo: Peirópolis, 2002.
MITO: O PAPA FIGO
O Papa Figo, ao contrário dos outros mitos, não tem aparência extraordinária. Parece mais com uma pessoa comum. Outras vezes, pode parecer como um velho esquisito que carrega um grande saco às costas. Na verdade, ele mesmo pouco aparece. Prefere mandar seus ajudantes em busca de suas vítimas. Os ajudantes por sua vez, usam de todos os artifícios para atrair as vítimas, todas crianças claro, tais como; distribuir presentes, doces, dinheiro, brinquedos ou comida. Eles agem em qualquer lugar público ou em portas de escolas, parques, ou mesmo locais desertos.
Depois de atrair as vítimas, estas são levadas para o verdadeiro Papa-Figo, um sujeito estranho, que sofre de uma doença rara e sem cura. Um sintoma dessa doença seria o crescimento anormal de suas orelhas.
Diz a lenda, que para aliviar os sintomas dessa terrivel doença ou maldição, o Papa-Figo, precisa se alimentar do Fígado de uma criança. Feito a extração do fígado, eles costumam deixar junto com a vítima, uma grande quantia em dinheiro, que é para o enterro e também para compensar a família.
Mito muito comum em todo meio rural. Acredita-se que a intenção do conto era para alertar as crianças para o contato com estranhos, como no conto de Chapeuzinho Vermelho.
LENDAS DO BRASIL - SUDESTE

O FRADE E A FREIRA
Quando a região se povoava no trabalho da terra, vieram também os semeadores da fé, pregando e sofrendo ao lado dos homens pecadores.
Um frade ali missionou, ensinando orações e espalhando exemplos de esperança.
Era moço, forte, soldado da milícia qie vencia o mundo, batalahndo por Jesus Cristo.
Na aldeia, não mais acampamentos indígenas e ainda não Vila-del-Rei, freiras divulgavam a ciência do esforço de sacrifício, silenciosa e contínua como o correr de um rio na solidão.
Aqueles que se deram a Deus, só a Ele pertencerão eternamente. O amor divino é absoluto e completo. Nada restará para a esmola a outros amores.
Frade e freira, servo e esposa de Cristo amaram-se, tendo os sinais visíveis do juramento a um outro amor, inviolável e severo.
Foram amando e padecendo, abafando no coração a chama alta do desejo fremente, invasora, sonora de paixão.
As razões iam desaparecendo na marcha alucinate de um amor tão vivo e maravilhoso como a terra virgem que o acolhia.
De furto, orando, chorando, penando, encontravam-se para um olhar mais demorado e uma recordação mais cruel e deliciosa.
Nas margens do Itapemirim andavam as duas sombras negras, lentas, numa procissão de martírio, resistindo às tentações da floresta, do silêncio e da vontade envolvedora.
Se foram ou não um do outro, num milagre humano de esquecimento, não recorda a memória popular.
Apenas, uma vez, não voltaram às suas casas. Faltou um frade nas matinas e houve um lugar vago entre as freiras.
Às margens do Itapemirim, claro e rápido, sobre fundamentod de granito, ergueu-se o casal, num diálogo que atravessa os séculos, ouvido pelas tempestades e compreendido pelos passarinhos.
É o grupo do frade e a freira...
Transformou-os Deus em duas estátuas de pedra, reconhecíveis, identificáveis, perfeitas.
Não os separou nem os uniu num abraço perpétuo à face dos homens.
Deixou-os próximos e distanciados, nas atitudes de meditação e de reza, de sonho e de resignação, frente a frente, imagem da imóvel felicidade, da obstinação amorosa, esperando o infinito.
E assim, eternamente, ficarão...
Cascudo, Luís da Câmara. Lendas Brasileiras para Jovens. São Paulo: Global Editora, 2006
segunda-feira, 31 de março de 2008
LENDA: VITÓRIA RÉGIA

A MAIS BELA DAS FLORES AQUÁTICAS
No coração da floresta amazônica vivia uma tribo de bravos guerreiros dentre eles a jovem Naiá, doce indiazinha que se apaixonara perdidamente por Jaci (a lua) que iluminava as noites.
Segundo os pajés, Jaci de vez em quanto descia a terra para buscar uma virgem e transformá-la em estrela para viver junto dela no céu. Naiá ao escutar tal história decidiu que queria ser transformada em uma estrela para viver junto do seu amor.
Naiá era bela, os bravos guerreiros sempre a cortejavam, mas nada adiantava, ela recusava todos os convites de casamento devido a sua grande paixão. Todos os dias esperava com ansiedade a lua surgir para então admirá-la . Já quase se manhãzinha Naiá saiu correndo em direção oposta ao sol para tentar alcançar Jaci, mas tudo era em vão, a lua ia embora sem lhe dar atenção.
Em uma noite Naiá adoeceu e de tanto ser ignorada pela lua começou a definhar. Mesmo assim, todas as noites fugia para admirá-la. Numa dessas vezes a indiazinha ao ver o reflexo da lua no rio, imaginou que Jaci tivesse vindo buscá-la e exultante de felicidade mergulhou nas águas profundas do igarapé e morreu afogada.
A lua com dó da bela indiazinha e vendo o seu sacrifício, resolveu transformá-la em uma linda estrela incomum, não para brilhar no céu, mas para refletir o clarão do luar nas águas dos rios da Amazônia. A esta estrela (NAIÁ) atribuí-se o nome Vitória-Régia, a linda flor aquática da Amazônia que só abre suas pétalas ao clarão do luar.
MITO: A MULHER DA MEIA-NOITE

A Mulher da Meia-Noite, também Dama de Vermelho, Dama de Branco, é um mito universal. Ocorre nas Américas e em toda Europa.
É uma aparição na forma de uma bela mulher, normalmente vestida de vermelho, mas pode ser também de branco. Alguns dizem, que é uma alma penada que não sabe que já morreu, outros afirmam que é o fantasma de uma jovem assassinada que desde então vaga sem rumo. Na verdade ela não aparece à meia-noite, e sim, desaparece nessa hora.
Linda como é, parece uma jovem normal. Gosta de se aproximar de homens solitários nas mesas de bar. Senta com ele, e logo o convida para que a leve para casa. Encantado com tamanha beleza, todos topam na hora. Eles caminham, e conversando logo chegam ao destino. Parando ao lado de um muro alto, ela então diz ao acompanhante: "É aqui que eu moro...". É nesse momento que a pessoa se dá conta que está ao lado de um cemitério, e antes que possa dizer alguma coisa, ela desaparece, e nessa hora, o sino da igreja anuncia que é meia-noite.
Outras vezes, ela surge nas estradas desertas, pedindo carona. Então pede ao motorista que a acompanhe até sua casa. E, mais uma vez a pessoa só percebe que está diante do cemitério, quando ela com sua voz suave e encantadora diz: "É aqui que eu moro, não quer entrar comigo...?". Gelado da cabeça aos pés, a única coisa que a pessoa vê, é que ela acabou de sumir diante dos seus olhos, à meia-noite em ponto.
LENDAS DO BRASIL - NORDESTE

Carro caído
O negro vinha da Aldeia Velha, servindo de carreiro. o carro tinha muito sebo com carvão nas rodas e chiava como frigideira. Aquilo não se acaba nunca.
Sua Incelência já preparou os ouvidos da gente quando está com as meleitas? Pois, tal e qual.
O carreiro era meu charapim: acudia pelo nome de João, como eu.
Deitou-se nas tábuas, enquanto os bois andavam para diante, com as archatas merejando suor que nem macaxeira encruada.
Levava um sino para a Capela de Estremoz, na vila era povo como abelha, esperando o brônzio para ser batizado logo.
João de vez em quando acordava e cutucava a boiada com a vara de ferrão:
- Eh, Guabiraba!, eh, Rompe-Ferro, eh, Manezinho!
Era lua cheia.
Sua Incelência já viu uma moeda de ouro dentro de uma bacia de flandres? Assim estava a lua lá em cima.
João encarou o céu como onça ou gato-do-mato.
Pegou nosono e o carro andando...
Mas a boiada começou a fracatear, e ele quando acordava, zás - tome ferroada!
Os bois tomaram coragem e força. Ele cantou uma toada da terra dos negros, triste, triste, como quem está de despedindo.
Os bois parece que gostaram e seguraram o passo.
Então ele pegou de novo no sono.
Quando acordou, os bois estavam de novo parados.
- Diabo!, e tornou a emendá-los com o ferrão!
A coruja rasgou mortalha, João não adivinhou, mas a coruja estava dizendo que naquela hora e carregando um sino pra casa de Nosso Senhor não se devia falar no maldito.
Gritou outra vez:
- Diabo!
O canhoto então gritou do inferno:
- Quem é que está me chamando?
João a mdo que ouviu e ficou arrepiado. Assobiou para enganar o medo; tornou a cantar a toada, numa voz de fazer cortar o coração, como quem está se despedindo.
Pegou ainda no sono uma vez. A luz da lua escorrendo do céu era que em dormideira!
Quando acordou - aquilo só mandando! - a boiada de pé.
- Diabo!
O maldito rounou-lhe ao ouvido:
- Cá está ele!
E arrastou o carro pra dentro da lagoa com o pobre negro, os bois e tudo.
Sua Incelência já passou pôs aqui depois da primeira cantada do galo no tempo da Quaresma? Quando passar, faça reparo: - canta o carreiro, chia o carro, toca o sino e a boiada geme...
Sua Incelência já preparou os ouvidos da gente quando está com as meleitas? Pois, tal e qual.
O carreiro era meu charapim: acudia pelo nome de João, como eu.
Deitou-se nas tábuas, enquanto os bois andavam para diante, com as archatas merejando suor que nem macaxeira encruada.
Levava um sino para a Capela de Estremoz, na vila era povo como abelha, esperando o brônzio para ser batizado logo.
João de vez em quando acordava e cutucava a boiada com a vara de ferrão:
- Eh, Guabiraba!, eh, Rompe-Ferro, eh, Manezinho!
Era lua cheia.
Sua Incelência já viu uma moeda de ouro dentro de uma bacia de flandres? Assim estava a lua lá em cima.
João encarou o céu como onça ou gato-do-mato.
Pegou nosono e o carro andando...
Mas a boiada começou a fracatear, e ele quando acordava, zás - tome ferroada!
Os bois tomaram coragem e força. Ele cantou uma toada da terra dos negros, triste, triste, como quem está de despedindo.
Os bois parece que gostaram e seguraram o passo.
Então ele pegou de novo no sono.
Quando acordou, os bois estavam de novo parados.
- Diabo!, e tornou a emendá-los com o ferrão!
A coruja rasgou mortalha, João não adivinhou, mas a coruja estava dizendo que naquela hora e carregando um sino pra casa de Nosso Senhor não se devia falar no maldito.
Gritou outra vez:
- Diabo!
O canhoto então gritou do inferno:
- Quem é que está me chamando?
João a mdo que ouviu e ficou arrepiado. Assobiou para enganar o medo; tornou a cantar a toada, numa voz de fazer cortar o coração, como quem está se despedindo.
Pegou ainda no sono uma vez. A luz da lua escorrendo do céu era que em dormideira!
Quando acordou - aquilo só mandando! - a boiada de pé.
- Diabo!
O maldito rounou-lhe ao ouvido:
- Cá está ele!
E arrastou o carro pra dentro da lagoa com o pobre negro, os bois e tudo.
Sua Incelência já passou pôs aqui depois da primeira cantada do galo no tempo da Quaresma? Quando passar, faça reparo: - canta o carreiro, chia o carro, toca o sino e a boiada geme...
Cascudo, Luís da Câmara. Lendas Brasileiras para Jovens. São Paulo: Global Editora, 2006
Assinar:
Postagens (Atom)
